Dona
Lola era uma mulher infeliz por ter se casado sem amor. Aos dezesseis
anos foi forçada a se casar com João Carlos Bontifack. Sua família
estava à beira da ruína então seu pai resolveu prometê-la em
casamento para um advogado solteirão e rico da cidade. Com o
casamento ela salvou os negócios do pai, porém desgraçou sua vida.
Ela e seu marido moravam numa pequena cidade do interior de São
Paulo, porém nunca tiveram filhos, João Carlos era estéril.
Tudo
corria bem, pelo menos era o que achava João Carlos, até que um dia
Dona Lola conheceu o novo sócio da empresa do marido, Sr. James
Rudestkin, um jovem homem, moreno alto com olhos negros como ébano.
Foi amor à primeira vista, porém os dois se amavam em segredo por
longos cinco anos. Mas o destino os deixou sozinhos e então trocaram
votos de amor.
Após
essa data eles acreditavam que precisavam mudar de vida. Ela decidiu
que fugiria com seu amado porque nunca tinha aprendido a amar seu
marido, que era um velho manipulador, desconfiado e rabugento. Ela
via no Sr. James a chance de ser feliz e realizar seu maior sonho:
ser mãe. Começaram a se encontrar as escondidas para planejar uma
fuga, iriam começar uma nova vida no Rio de Janeiro.
Mas
será que que uma fuga é segura? Será que o marido não
desconfiaria? Será que seria muito difícil? Dona Lola tinha muitas
dúvidas, mas apenas uma certeza, só seria feliz longe de João
Carlos.
Chegou
o grande dia, ou melhor, a grande noite. Eram exatamente 03:35 h da
madrugada do dia 06 de junho de 1864 quando ela sai, pé por pé de
casa, desce as escadarias da casa que nesse instante deixaria de ser
seu lar e na porta dos fundos encontra o amado a sua espera. Era uma
noite muito fria e escura. Não tinha ninguém andando nas ruas da
cidade...
-
Vamos querida, meu carro está escondido no final daquele túnel. Só
mais alguns passos e estamos livres.
Caminharam
algumas quadras e quando chegaram ao fim do túnel, depararam-se com
dois amedrontadores homens, vestidos de preto que pareciam estar
esperando-os.
-
E agora? Vamos seguir ou voltar? Estou com medo! – Disse Dona Lola.
-
Imagine querida, são apenas dois homens, que mal podem nos fazer? –
Respondeu Sr. James.
E
quanto mais se aproximavam, mais amedrontadores aqueles homens
pareciam, olhavam fixamente para o casal, parecendo que estavam
esperando para apanhá-los sem nenhum remorso. Sr. James pegou uma
garrafa de vidro que encontrou em uma lixeira e seguiu seu caminho,
preparado para atacar caso fosse necessário. Ao chegar perto dos
homens um deles ataca James e tenta agredi-lo. Mais do que depressa
James o ataca com a garrafa e acerta-lhe na cabeça ele este cai
desmaiado no chão. Ao mesmo tempo o outro homem mobiliza os braços
de Dona Lola, que a deixa em profundo desespero, acreditando que esse
seria o fim de uma linda história de amor que nem tinha começado
ainda. Sentia-se incapaz, não tinha forças para livrar-se daquelas
mãos nojentas. Por mais que lutasse não conseguia livrar-se dele.
Ele a joga para dentro de um carro.
-
Socorro! Socorro! - Grita ela com pavor.
Sr.
James ao ver aquela cena, largou o homem desmaiado no chão e correu
para salvar sua amada. Com muita luta consegue ferir o agressor com o
resto da garrafa que tinha em mãos, e empurra-o para fora do carro.
Pronto,
que sufoco, pensou.... Dá a partida sem pestanejar e fogem em alta
velocidade desse lugar.
-
Que susto! - Fala Dona Lola entre lágrimas.
-
A cidade está muito violenta. Vamos embora e deixar tudo isso para
trás.
Espero
que seja realmente isso. Pensa ela, ainda com o rosto cheio de
lágrimas.
Seguiram
o caminho mais tranquilos, porém mal sabiam eles que aqueles homens
eram capangas de João Carlos que foram contratados para vigiar a sua
esposa e a muito tempo a vigiavam. Não imaginavam eles que João
Carlos era muito esperto e tinha deixado mais homens a espera deles
no caminho. Aquela noite de terror mal tinha começado...
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