Quando
eu era criança presenciava na escola, grupinhos de “amigos” que
se sentiam superiores ou melhores que os outros. Viviam isolados do
restante dos alunos como se eles fossem um grupo seleto de crianças
e que pra participar com eles você tinha que ser descolado, bonito,
inteligente, ou simplesmente chamar atenção por uma roupa boa, ou
um tênis de marca.
Na
minha sala tinha uma menina muito bonita que todos os meninos olhavam
pra ela e faziam tudo o que ela queria, suas conversar faziam o
grupinho seleto rir, e todos queriam estar ao lado dessa garota. O
que eu não entendia era porque ela era considerada a “melhor”
enquanto tantas outras mortais, como eu, eram simplesmente deixadas
de lado, sem nenhum motivo aparente.
Os
grupinhos eram os mais diversificados, tinha os garotos bonitos e
fortes, os jogadores de futebol, os intelectuais, as meninas bonitas,
os negros, os inteligentes, as meninas feias. Feias? Bonitas? Quem é
que explica isso?
Apesar de sofrer com todas essas “diferenças”
o que mais me chamava atenção eram os apelidos que esses grupinhos
que se julgavam diferentes dos demais atribuíam ao restante das
crianças.
Essas
coisas aconteciam todos os dias, mas parecia tão normal, porque a
maioria das crianças que recebiam esses apelidos não tinham coragem
de reagir ou não se sentiam apoiados em buscar ajuda.
Quantas
crianças da minha geração que cresceram sofrendo com apelidos e
perseguições na escola pelo simples fato de não pertencer a um
grupinho ou por ser diferente dos padrões estabelecidos por pessoas
que julgam os outros sem se colocar no lugar.
Hoje
sabemos que todas essas ofensas tem nome, chama-se “Bullying”, e
sabemos que todos aqueles que sofrem perseguições e sofrem com
discriminação não estão sozinhos, hoje temos voz e precisamos
gritar, e gritar bem alto quando nos sentirmos ofendidos com
brincadeirinhas que não tem a menor graça.
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