O Auto da Barca do Inferno foi escrita em
um período da história que corresponde à transição da Idade
Média para a Moderna. Seu autor Gil Vicente, se enquadra justamente
nesse momento de transição, ou seja, está ligado tanto ao
medievalismo quanto ao humanismo.
O Auto da Barca do Inferno, ou Auto da
Moralidade, é uma alegoria, cada personagem discute com o diabo e
com o anjo para ver qual das barcas entrará, coloca cada personagem
numa situação-limite. Classificado pelo próprio autor como auto de
moralidade tem como cenário um porto imaginário, onde estão
ancoradas duas barcas, uma com destino ao paraíso, tem como
comandante um anjo, a outra, com destino ao inferno, que tem como
comandante o diabo, que traz consigo um companheiro. Auto da Barca do
Inferno, de Gil Vicente que foi considerado o pai do teatro
português, o diabo é um dos personagens centrais, o autor trabalhou
com os tipos sociais, que eram personagens caricaturais e o diabo
convida um a um dos integrantes. O primeiro convidado é Fidalgo, que
chega acompanhado de um pajé, ao observar a barca do Paraíso, ao
passar Fidalgo vê um anjo e pede para entrar, mas é recusado. Por
fim os cavaleiros, que lutaram em vida pelo cristianismo são
conduzidos a barca do paraíso pelo anjo.
Esse conflito faz com que Gil pense em Deus
e ao mesmo tempo exalte o homem livre. O reflexo desse conflito
interior é visto claramente em sua obra, pois ao mesmo tempo em que
crítica, de forma impiedosa, toda a sociedade de seu tempo, adotando
assim uma postura moderna, ainda tem o pensamento voltado a Deus
característica típica do mundo medieval.
Nenhum comentário:
Postar um comentário