"O conceito de personagem em Auto da Barca do Inferno" - Jocieli Antonina da Silva Bordin

O Auto da Barca do Inferno foi escrita em um período da história que corresponde à transição da Idade Média para a Moderna. Seu autor Gil Vicente, se enquadra justamente nesse momento de transição, ou seja, está ligado tanto ao medievalismo quanto ao humanismo.
O Auto da Barca do Inferno, ou Auto da Moralidade, é uma alegoria, cada personagem discute com o diabo e com o anjo para ver qual das barcas entrará, coloca cada personagem numa situação-limite. Classificado pelo próprio autor como auto de moralidade tem como cenário um porto imaginário, onde estão ancoradas duas barcas, uma com destino ao paraíso, tem como comandante um anjo, a outra, com destino ao inferno, que tem como comandante o diabo, que traz consigo um companheiro. Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente que foi considerado o pai do teatro português, o diabo é um dos personagens centrais, o autor trabalhou com os tipos sociais, que eram personagens caricaturais e o diabo convida um a um dos integrantes. O primeiro convidado é Fidalgo, que chega acompanhado de um pajé, ao observar a barca do Paraíso, ao passar Fidalgo vê um anjo e pede para entrar, mas é recusado. Por fim os cavaleiros, que lutaram em vida pelo cristianismo são conduzidos a barca do paraíso pelo anjo.
Esse conflito faz com que Gil pense em Deus e ao mesmo tempo exalte o homem livre. O reflexo desse conflito interior é visto claramente em sua obra, pois ao mesmo tempo em que crítica, de forma impiedosa, toda a sociedade de seu tempo, adotando assim uma postura moderna, ainda tem o pensamento voltado a Deus característica típica do mundo medieval.

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