"O conceito e o papel da Psicologia da Educação" - Jocieli Antonina da Silva Bordin

A Psicologia Educacional sistematiza os saberes necessários à compreensão dos processos de sucesso e fracasso junto a espaços educativos (VIANA; FRANSCHINI, 2006). É uma área de pesquisa que dá subsídios teóricos e epistemológicos para profissionais. É a orientação teórica disponível para conduzir ações educativas a partir dos saberes sobre aprendizagem e desenvolvimento humano.

A Psicologia Escolar é o trabalho que só o profissional formado em psicologia pode exercer a partir dos conhecimentos da Psicologia da Educação e de outras áreas dessa ciência. O conceito é definido por Khouri:
O psicólogo escolar atua, em primeiro lugar, de acordo com um papel de educador [...] seu objetivo básico é ajudar a aumentar a qualidade e a eficácia do processo educacional através dos conhecimentos psicológicos. ”

No vídeo, o que é a psicologia, é explicado que, a mente, o comportamento humano e de animais, é estudado para poder entender como o ser humano funciona.
E no vídeo, sobre a ação do psicólogo escolar, pode se disser que, ele busca entender; os contextos culturais, as versões do professores e alunos, família, interversões em níveis como escola, Família e aluno. Ao psicólogo escolar, cabe buscar uma pratica que conduza o aluno a descobrir seu potencial de aprendizagem; dar visibilidade a presença de sujeito como uma totalidade, destacando sua subjetividade, proporcionar reflexões críticas. É um profissional preparado para tratar assuntos como: Bullyng, saúde do professor, orientação profissional, adaptação escolar, inclusão escolar, sexualidade, limites, problemas de aprendizagem. O psicólogo irá ajudar a tecer novas possibilidades e formas de olhar e entender a escola- educação.
É importante retificar que o psicólogo escolar não faz abordagem clínica junto aos alunos ou à comunidade.
Os conceitos de aprendizagem e de desenvolvimento e suas interrelações.
As contribuições dos estudos da Psicologia Educacional permitem compreensão do funcionamento cognitivo do aluno em diferentes momentos do ciclo de vida. A forma como se pensa esse funcionamento é a diretriz para a organização da ação didática.
Os dois conceitos: aprendizagem e desenvolvimento. Como se posicionam Piaget, Vigotski e Skinner acerca desses dois problemas relacionados à produção de conhecimento:
Piaget: O desenvolvimento do conhecimento é um processo espontâneo, que diz respeito ao desenvolvimento do corpo e do sistema nervoso e ao desenvolvimento das funções mentais. [...] A aprendizagem é atraido por situações — por um psicológico; ou por um professor, com referência a algum ponto didático; ou por uma situação externa. Oposta ao que é espontâneo. (PIAGET, 1972, p. 19) A aprendizagem depende do processo de desenvolvimento de estruturas cognitivas.
Vigotski: “A aprendizagem não é em si mesma, desenvolvimento, mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento, e esta ativação não poderia produzir-se sem aprendizagem. [...] A aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal. A aprendizagem e o desenvolvimento não coincidem imediatamente, mas são dois processos que estão em complexas inter-relações [...]. O único bom ensino é o que se adianta ao desenvolvimento. ” (VYGOTSKY, 2010, p. 117).
As três teorias tratam a construção do conhecimento de formas diferentes, que permitem sistematizações necessárias para que se percebam as necessidades e demandas cognitivas a partir da opção teórica que a escola e os professores façam. Nesse sentido, os fundamentos da educação alinham a forma mais condizente de se ensinar a partir da escolha teórica do Projeto Político Pedagógico – PPP, da escola.
As abordagens da psicologia no campo educacional.
Os pesquisadores Jean Piaget, Lev Semyonovich Vigotski, Burrhus Frederic Skinner, estudaram fatores do processo de desenvolvimento humano.
Jean Piaget, estudou biologia e psicologia a partir de uma perspectiva construtivista. Empenhou-se no desenvolvimento da epistemologia genética para explicar a manutenção e reorganização dos processos cognitivos. Segundo sua teoria, a capacidade de acumular conhecimentos, a capacidade de interagir com os conhecimentos novos é que mobiliza a ampliação das estruturas cognitivas.
O desenvolvimento, nesse sentido, implica na adaptação ao meio, pela interação. Segue os principais conceitos:
Assimilação: o sujeito, ao interagir com o objeto, incorpora elementos e informações. O organismo se impõe ao meio. ( Piajet, acreditava que acontecia quando a pessoa se depara com coisa que, poderia ser fácil compreendida, porque são familiares por exemplo: Uma criança de 5 anos que nunca viu um boneco na frente, e quando ela ver pela primeira vez pode pensar que seria uma pessoa, porque é muito semelhante com o ser humano, esse processo de recolher é assimilação, ou seja ela compreende algo novo pelo seu entendimento que possui.
Acomodação: modificação e/ou ajuste do pensamento quando algo é incorporado. A mente reorganiza-se para se adaptar ao meio. ( a criança precisara modificar seu conhecimento prévio, para dar conta das novas informações com as quais está se deparando, a esse processo de modificação de conhecimento prévio é a acomodação e ele é fundamental para que a compreensão sobre os bonecos seja enfim assimilado pela criança.
Adaptação: equilíbrio nas relações com o mundo e entre o que assimila e acomoda.
Equilibração: superação dos conflitos que ocorrem na interação com o meio. (Para Piaget, ele acreditava que para uma pessoa ficar em equilíbrio, ela tinha a necessidade de aprender, isso queria dizer que se sentiria melhor entendendo o mundo que acerca.)
Esquema: esquemas mentais e/ou de ação para abordar e conhecer a realidade. O conhecimento de um objeto implica em incorporá-lo aos esquemas já existentes – mesmo que isso implique em organização de outro esquema mais complexo.
Para Piaget, “[...] o conhecimento é organizado a partir da internalização de conceitos por meio da ordenação, classificação e internalização de novos dados a partir da maturação anterior de estruturas.” (PIAGET, 1972, p. 19).
Para Piaget, o desenvolvimento é uma construção que cabe ao sujeito, o autor o classifica por meio da faixa de maturação biológica.
Fases do desenvolvimento cognitivo em Piaget:
Fase: Sensório-motora
Aproximação com a linguagem: 0 a 2 anos: Inteligência sem linguagem. Formação de imagem mental. Inteligência prática. Anomia: a conduta é determinada pelas necessidades/não há regras.
Pré-operatória: 2 a 7 anos
Aquisição da linguagem. Egocentrismo: anomia.
Operações concretas: 7 a 11 ou 12 anos.
Operações intelectuais. Heteronomia: construção progressiva de regras/obediência vigiada.
Operações formais: 11 ou 12 anos em diante
Pensamento abstrato. Autonomia: consciência moral.
O construtivismo, é a interação com o meio que faz com que as aprendizagens e o processamento das informações ocorram de modo introspectivo, o pensamento é a interiorização da ação. E está relacionado a projeto escolavistas em que o professor é facilitador de novas interações. Piaget aponta três fazes importantes do desenvolvimento moral, que são:
a) Anomia: não há consciência de regras e nem da necessidade de segui-las pois são as necessidades básicas que orientam o comportamento;
b) Heteronomia: cumprimento estrito das regras sem capacidade de análise sobre condicionantes ou exceções;
c) Autonomia: capacidade de discutir e estabelecer regras por meio do diálogo e negociações.
Em relação às práticas pedagógicas:
Escola nova: A educação se propõe a servir aos interesses dos indivíduos, e se funda sobre a princípio da vinculação da escola como meio social, tem ideal aprofundamento humano de solidariedade de serviço social e cooperação.
O que é a educação construtivista: é a grande diferença de escolhas uma escola construtivista e que a criança tem que estar no centro da proposta pedagógica. A diferença está no formato do conteúdo apresentado, ela tem: Conteúdo, professores capacitados, planejamento, regras. São vários doutores que sustentam os estudos pedagógicos, como Piaget, Vygotsky e Skinner.
Vigotski foi um estudioso russo formado em Direito, Literatura e História. Em relação à psicologia, desenvolveu leituras sobre toda a teoria produzida em sua época incluindo a psicanálise, behaviorismo e as primeiras ideias de Jean Piaget. A síntese dessas obras o ajudou propor uma reorganização teórica que é conhecida como psicologia histórico-cultural.
Funções psicológicas superiores: formas conscientes com que o ser humano se relaciona com o mundo, com outros seres humanos e consigo mesmo.
Mediação: movimento de auxílio para o desenvolvimento das estruturas superiores.
Internalização: apropriação ativa da cultura - a atividade interpsíquica passa a ser intrapsíquica.
Zonas de desenvolvimento: níveis de desenvolvimento do sujeito a partir das suas experiências. Segundo Vigotski, a zona de desenvolvimento proximal, ZDP é:
[...] a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto, ou em colaboração com os companheiros capazes”. (1993, p. 97)
Em relação às práticas pedagógicas: A teoria sociocultural está relacionada às tendências progressistas da educação. Segundo a Pedagogia Histórico Crítica de Demerval Saviani (1991), ambas as teorias se organizam a partir do materialismo histórico.
O conceito de aprendizagem mediada é a principal contribuição dessa teoria à didática. Explica que a aquisição de conhecimentos ocorre a partir de uma ponte entre o ser humano e o ambiente. Os elementos mediadores da aprendizagem são os instrumentos e os signos; os primeiros são ferramentas desenvolvidas/utilizadas de forma sofisticada. Os signos são representações mentais sobre o mundo real.
Conforme Vigotski “[...] o caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa por outra pessoa.”
Para Skinner, a teoria do comportamento operante parte do pressuposto de que é possível organizar/estimular comportamentos por meio de reforços. É possível mobilizar respostas com base em alguns protocolos específicos.
Skinner acredita que a ciência comportamental traz a possibilidade de evolução cultural. Em relação à linguagem, leva-se em consideração a organização da cognição fundada em uma cadeia de processos de estímulo-resposta-reforço. Sempre que há evolução na produção linguística a criança é recompensada. Por exemplo da série americana The Big Bang Theory.
Como elemento de reforço oferece chocolate sempre que Penny se aproxima daqueles comportamentos. Por outro lado, quando utiliza o borrifador de água está usando da estratégia de punição – há a retirada do chocolate.
Para Skinner, a modelagem propriamente dita é modelar um comportamento, nada mais que ensinar um organismo a um comportamento novo.
Muitos profissionais da educação ainda utilizam essas técnicas sem ter consciência. A fragilidade dessa teoria na área educacional é o fato de que Skinner não considera aspectos importantes do desenvolvimento como a interação, consciência e o juízo moral. Os objetivos educacionais pretendem projetar, nas crianças e adolescentes, um modelo de adulto, com fundamento nas atividades condicionadas.

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