Resenha: "Os Lusíadas: introdução" - Solange Bonato


PAIS, Amélia Pinto. Introdução. In: CAMÕES, Luís de. Os Lusíadas. 3. ed. Lisboa: Areal Editores, 1996.

Resenha Crítica



No livro “Os Lusíadas: Luís de Camões”, Edição Escolar, terceira edição de Amélia Pinto Pais, da Areal Editores, de 1996. A resenha em questão versa a introdução da obra que mostra de maneira clara pontos importantes que a autora julga essencial para a compreensão do clássico “Os Lusíadas, de Luís de Camões”.
Um aspecto importante citado pela autora é reconhecer o contexto cultural em que a obra foi escrita, que é o Renascimento Cultural e o que estava em voga neste momento. Conforme a autora, a partir do século XVI, com o desenvolvimento econômico, os descobrimentos de terras novas dos portugueses e espanhóis, a invenção da imprensa, acontece também uma ruptura de pensamentos e ideologias, que se distinguem dos pensamentos medievais. Essa mudança de pensamentos converte em uma mudança na forma de criar Arte e Literatura.
O homem deixa de ter uma visão totalmente teocêntrica como tinha na Idade Média, voltando-se a uma visão mais humanista no Renascimento. Assim começam a acreditar na veracidade da Ciência e acabam por iniciar uma visão antropocentrista da vida. Na Arte: a imitação da natureza, a perfeição nas formas, a volta às pinturas com corpos nus, grandes estudos e descobertas da anatomia do corpo humano. Na Ciência importantes descobertas por Galileu. Na literatura o Renascimento tem influência em modelos literários da antiguidade (classicismo). Com tudo isso surgem novas construções de palácios, praças, fontes e parques, tudo pensando no bem-estar do homem.
De acordo com a autora o Renascimento em Portugal vai ser marcado pelo enriquecimento sócio econômico proveniente dos descobrimentos, decadência de moral e costumes e uma maior liberdade religiosa.
Do ponto de vista da literatura, é marcada pelos descobrimentos, temos as literaturas das viagens, sendo estes “relatos de naufrágios e expedições”, o “desenvolvimento da historiografia”, entre outras obras, mas manteve a tradição do verso redondilha e a novela sentimental. Luís de Camões é um dos grandes destaques dessa época, com a obra máxima da literatura, com “Os Lusíadas”, que de certa forma teve inspiração em obras greco-romanas como “Ilíada e Odisséia”.
Pouco se sabe sobre Camões, mas o que é importante marcar aqui, é que além de escritor, soldado, teve cargos administrativos, frequentou círculos de nobreza e passou por dificuldades também. Teve acesso a cultura e em suas obras temos a poesia lírica, épica e comédias.
Um poema épico é escrito em versos, celebra feitos grandiosos de heróis, fundo histórico, tem um ato heroico, existência de mitologia pagã. A obra Os Lusíadas segue rigorosamente essas regras, constituído por 10 cantos com total de 1102 estrofes e cada estrofe é decassilábicos heroicos, com rima cruzada e emparelhada (abababcc). A obra é articulada em 4 planos (plano de viagem, plano dos deuses, plano da história de Portugal, plano das considerações do poeta) e linhas vetoriais (da viagem, da oposição, do amor, do saber, e da ciência, da fé e da moral).
A autora faz uma leitura de “Os Lusíadas” como este sendo um poema épico que celebra as virtudes e o valor do povo português, escolhendo como personagem central Vasco da Gama e sua viagem heroica a caminho das índias, mostrando um homem corajoso, forte, europeu e cristão (característica Renascentista).
A epopeia em questão também celebra o amor- erotismo, e algumas linhas ideológicas. Pais também explica os temas como o amor e o herói na obra, o maravilhoso (pagão, cristão e natural) dando a esses temas um capítulo especial, assim como um modo de pensar Portugal de Camões a Fernando Pessoa.
A autora também cita Antônio Jose Saraiva e a última edição de “Os Lusíadas”, que combina o texto original com a linguagem oral, rico em metáforas, antíteses, imagens, hipérbatos e diminutivos. Entre isso vemos alguns conceitos básicos para análise de obra narrativa como: a ação que envolve os personagens, o tempo, o espalho e o narrador. É possível também encontrar neste livro resenhado, a estrutura interna de “Os Lusíadas” sendo essas os ciclos dos cantos (I a X), os narradores, o espaço, o tempo, a ação, personagens e incidentes, organizadas em tabela para situar o leitor.
Por fim, para a leitura de “Os Lusíadas”, é necessário o conhecimento sobre o contexto histórico do Renascimento, a biografia de Camões e como se configura um poema épico. Dessa maneira essa versão escolar de Amélia Pinto Pais é perfeita para amantes iniciantes da literatura.

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