"Vida Secreta" - Josyane Prado de Castilho Tomasi


Lembro-me daquela noite como se fosse hoje, estávamos jantando em um restaurante muito agradável, a comida estava ótima e a companhia da minha doce Isadora me fazia muito bem. Entre uma taça de vinho e outra, ela me contava como tinha sido seu dia, e eu sem falar uma palavra ouvia atentamente. Seus cabelos eram dourados como o sol, e seu sorriso, era largo e sincero, sua pele era aveludada, e nela só encontrava virtudes.
O meu coração se enchia de alegria ao simples fato de estar ao lado dela, de poder olhar em seus olhos, poderia admirá-la por horas.
Ao terminar mais uma garrafa de vinho percebi que estava na hora de nos despedir, já estava muito tarde, e, além disso, percebi algo muito estranho no salão do restaurante, parecia que alguém estava nos observando, e sem que Isadora percebesse minha preocupação, saímos e fomos a pé para casa.
A noite estava fria e muito mais escura que de costume, abracei minha amada, mas ela já estava com muito medo e sem entender nada apenas disse:
- Com você me sinto segura, sei que cuidará de mim.
Mal sabia ela que minha vida tinha um lado obscuro e secreto a qual nunca havia contado para ela. Eu não era apenas um simples bancário, eu também era um homem sedento por justiça, um homem que fazia justiça com as próprias mãos. E em virtude dessa minha vida secreta ajuntei para mim muitos inimigos, e esses nessa noite vieram atrás de mim e o que poderia fazer a não ser proteger minha amada?
Ao chegar em um beco, eles nos cercaram, pude ver dois bandidos se aproximando de nós, e meu coração estava voltado para aquela que roubava toda minha atenção e todo o amor que poderia existir em mim. Ao lutar com um dos bandidos o segundo elemento a agarrou e a jogou dentro do carro, com muita violência. Pensei naquele momento que algo terrível poderia acontecer, minha amada estava sendo levada de meus braços, e jamais me perdoaria se algo de ruim acontecesse com ela.
Foi quando consegui pegar uma garrafa no chão e acertar a cabeça daquele homem e resgatar minha amada e doce Isadora. Ela estava apavorada, seu corpo tremia, e suas mãos estavam geladas, mais o seu olhar continuava doce e meigo.
Falei a ela que poderia se tratar de um assalto, pois a cidade está muito violenta e ela apenas disse: 
- Vamos sair daqui a única coisa que quero é lembrar do nosso maravilhoso jantar.
Assim seguimos nosso caminho, mais a minha vida secreta não revelei a ela, pois tenho a certeza de que muitos bandidos ainda terei que encontrar, e preservar a minha amada com certeza é uma das coisas mais importantes a fazer.

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