"A pressa me pregou uma peça" - Fernanda Batista da Silva


Todos os dias faço o mesmo trajeto para chegar ao trabalho, e sempre encontro um menino sentado em uma escada, com uma bolsa sobre as pernas, cabisbaixo. Só lhe observo, me chama a atenção seu jeito triste.

Talvez seja o jeito dele, ou realmente possa está passando por alguma necessidade, tão pequeno e cedo demais para ter problemas. Ele nunca fala com ninguém, pelo menos é o que eu percebo até o final do quarteirão antes de dobrar a esquina.

Penso que às vezes deveria agir como este menino, ficar quieto, sentado, sem palavras nenhuma, assim a vida seria menos cansativa. Para compreender o que se passa é preciso escutar, e logo que cheguei à escada parei exatamente onde ele costumava estar, do mesmo jeito de todos os outros dias.

Descobri que não havia nada de errado, nem necessidades e muito menos problemas, se tratava somente de alguns minutos sentados, ali quieto esperando o transporte que o levaria para seu trajeto diário para a escola.

A preocupação com o semblante triste do menino era tanta que não fui capaz de perceber que o mesmo vestia o uniforme da escola onde estudava.

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