Esperança no futuro. É o que sinto quando leio as notícias sobre o ensino superior da minha cidade. Avanços na área da saúde, da tecnologia, das artes, das letras, da política. Eventos de divulgação científica para crianças, idosos, adultos. A contribuição da acadêmia para Pato Branco e região vai desde a oportunidade de observar o céu até as incubadoras de empresas, passando pela formação de administradores, professores, enfermeiras e agrônomos. Não há um setor da economia que não seja beneficiado pela presença do ensino superior por aqui.
Penso nisso enquanto descubro que, em 1920, a criação de uma universidade no Rio de Janeiro inquietou Lima Barreto. Considerava o escritor que a universidade era resquício da idade média, “tempo de reduzida atividade técnica e científica” e servia apenas como “aparelho decorativo”. Diz ainda que a universidade cria ignorantes com privilégios sustentados em lei… os “doutores”, respeitados ingenuamente pelo “povo tolo”, conseguem boas colocações sem merecê-las: sem provar, na prática, habilidades na sua profissão.
Já são quase 100 anos desde aquela crônica de Lima Barreto e muito mudou. A visão dele sobre as universidades da época e, principalmente quanto aos “doutores” por elas formados era bastante precisa. Mas se, naquele tempo, a “superstição doutoral” e a “doutomania” eram apenas desculpas para corporativismo, ainda hoje o “saber de experiência feito” que Paulo Freire nos ensina a respeitar, é renegado em muitas universidades. Os caminhos para o desenvolvimento do país passam pela universidade, mas ela ainda precisa, e muito, se vestir de povo.
REFERÊNCIA
BARRETO, Lima. A universidade. In: ___. Crônicas. Disponível em: </www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bi000173.pdf >. Acessado em 20 out. 2019.
Nenhum comentário:
Postar um comentário