Análise de Charge: "Brincadeirinha sem graça" - Nadia Cristina Weiss Pires



A charge nos mostra sutilmente o porquê de tantas lutas por direitos ainda não conquistados, ou melhor dizer, conquistados mas não respeitados, devido à falta de crédito de que as mulheres lutam, trabalham, se esforçam tanto quanto os homens para conquistarem uma posição ou cargo melhor na sua área de atuação, mas quando isso acontece não acreditam na sua capacidade intelectual, sua inteligência, e esforços próprios para consegui-lo. Simplesmente é mais fácil acreditar que a mulher consegue esse crescimento pessoal através de favores sexuais, não nos deixando esquecer que nossa sociedade é totalmente machista.
O autor mostra justamente o posicionamento dos homens perante as mulheres, pois a sociedade ainda duvida da capacidade e da inteligência feminina, fazendo com que elas lutem diariamente para se manterem aonde chegaram, essa exclusão feminina acontece em todos os setores, sendo comprovado que até mesmo o salário de um mesmo cargo ou função quando exercida por um homem tem um valor mais elevado do que quando exercida por uma mulher.
São decadente e degradante estarmos em pleno século XXI e constatarmos que as atitudes para com as mulheres pouco mudaram. Podemos constatar isso nas atitudes dos jovens, nas músicas que cantam e que fazem sucesso, as quais falam que as mulheres são objetos sexuais, e para piorar ainda mais a situação as próprias jovens cantam, dançam e aplaudem essas músicas e atitudes deles e que em um futuro próximo elas irão perceber o quanto suas próprias atitudes ajudaram a proliferar o machismo nato de nossa cultura o qual instiga ao próprio feminicídio.
Quando somos jovens pensamos que conosco será diferente e que faremos e seremos melhores que nossos pais e avós, mas quando amadurecemos percebemos que não conseguimos fazer diferença e que o preconceito continua lá, sai ano, entra ano, e que vivemos em uma sociedade essencialmente masculina e machista e que nascer mulher é nascer destinada a discriminação, ao silêncio e quando alguma delas se destaca não pode ser por esforço e competência, percebemos que estamos em uma luta diária pela valorização e reconhecimento tão dignos e labutados quanto ou mais que qualquer homem.

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