"Criança diz cada uma..." - Sharon Caleffi

Sou mãe de um menino, Tomás, e para poder dedicar mais tempo a ele escolhi fazer a modalidade a distância do curso de Letras Português e Literaturas de Língua Portuguesa na Unicentro, pela UAB. Nos cursos a distância, não encontramos muito os colegas de turma, como acontece nos cursos presenciais. Estudamos em casa, e nos reunimos apenas para as aulas presenciais ou fazer as provas. Mas isso não é suficiente para alguns de nós, como eu, que gostam de conviver, conversar sobre as dificuldades, os desafios e as conquistas. Enfim, gostamos de ver outras pessoas face a face. Então começamos a nos encontrar para estudar. Também participamos de um clube de leitura, um projeto chamado “Leia Mulheres”. Esse clube se reúne uma vez por mês, e uma das primeiras reuniões que tivemos foi sobre o livro “Crostácea” da poetisa patobranquense Joana Corona.
Quando o Tomás tinha sete anos, as reuniões eram às seis horas da tarde, no horário de saída das escolas, então ele sempre ia comigo. No caminho eu passaria pela escola onde as colegas Lore e Iva trabalhavam, então ofereci carona a elas e encontramos as duas ainda vestindo seus jalecos brancos. Assim que elas embarcaram no carro, apresentei as duas ao Tomás e começamos a conversar. Achei que ele gostaria de saber que elas eram professoras e falei:
– Tomás, elas são professoras!
E ele, com cara de quem já conhece mais do mundo do que imagina a vã filosofia dessa mãe perdida, retrucou:
– Eu já sei mãe, eu vi pela roupa!

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