Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.
Poema retirado do livro Vicente de Carvalho – Coleção Melhores poemas (2010), organizado por Cláudio Murilo Leal, pela editora Global
Vicente Augusto de Carvalho foi um advogado, jornalista, político,
abolicionista, fazendeiro, deputado, magistrado, poeta e contista
brasileiro. Nasceu em Santos, SP, em 05 de abril de 1866, e faleceu
na mesma cidade em 22 de abril de
1924. Vicente de Carvalho durante toda a sua vida foi, um jornalista
agressivo, defendia seus
ideais, ate
1915, teve
uma atuação
quase que
ininterrupta na
imprensa. Foi redator do Diário de Santos, fundando, no mesmo ano, o Diário
da Manhã, da mesma cidade. Colaborou para A Tribuna e fundou, em
1905, O Jornal. Até 1913 colaborou n’O Estado de S. Paulo. No fim
da vida, cansou-se do jornalismo, mas continuou em contato com seus
leitores através dos versos que publicava nas páginas de A Cigarra.Poeta lírico, desde o início participava de um grupo de jovens
poetas com tendência parnasiana. Foi um grande poeta na sua época,
inicio do Parnasianismo. Obras de destaque com poemas que são de
extrema beleza: “Palavras ao mar”, “Cantigas praianas”, “A
ternura do mar”, “Fugindo ao cativeiro”, “Rosa, rosa de
amor”, “Velho tema” e “Pequenino
morto".
Conforme a reportagem, em versos Vicente de Carvalho demonstra
melancolia, emotividade, certa ironia, sugerindo alguma influência
do Simbolismo. Vicente de Carvalho foi, na opinião de Massaud
Moisés, "um romântico autêntico", que nem o formalismo
parnasiano nem o transcendentalismo simbolista haviam conseguido
mudar.
Segundo ocupante da cadeira 29, foi eleito em 1º de maio de 1909, na
sucessão de Artur Azevedo, e recebido por carta na sessão de 7 de
maio de 1910.
De uma sensibilidade muito profunda penetrava com agudeza no mundo interior do homem e daí procurava exprimir os anseios incontidos da alma humana. Mas tudo isso sem decorrer a devaneios e com apuro de forma, de acordo com os moldes de sua escola, esses sentimentos subiam à tona com objetividade e realismo, "às claras", como ele mesmo preconizava "Velho Tema" pertence a obra Poemas e Canções" publicada em 1908.
FELICIDADE: (substantivo feminino)
- Qualidade ou estado de feliz; estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar.
- Boa fortuna; sorte.
O poema Felicidade compõe-se de duas estrofes de quatro versos e
duas estrofes de três versos, portanto, é um soneto. São versos de
dez sílabas (decassílabo), indicando ser um soneto clássico. As
rimas são alternadas, sendo dispostos da seguinte forma: o primeiro
verso rima com o terceiro e o segundo, com o quarto verso.
São rimas ricas, isto é, formadas com palavras de categorias
gramaticais diferentes, exemplo, resumida com vida. No poema ocorrem
rimas com palavras da mesma categoria gramatical, mas não podem ser
consideradas pobres em vista da precisão com que foram usadas. Faz
uso de metáforas Ex.: "árvore milagrosa que sonhamos toda
arreada de dourados pomos" - metáfora utilizada concebe a ideia
de uma árvore milagrosa carregada de frutos dourados que simboliza a
abundância, a riqueza e indica a
felicidade.
Também faz uso da Comparação: "Nem é mais a existência
resumida, que uma grande esperança malograda.", além de
símbolos: Símbolos: "dourados pomos."
Título e contexto estão muito bem relacionados, pois que o título
aparentemente simples está muito bem envolvido e completamente
desenvolvido no tema é mais do que a procura da felicidade e saber
reconhecê-la e coloca-la junto a
ti.
Em cada uma das estrofes o poeta constrói a felicidade mostrando
como ela está tão perto de nós, mas ao mesmo tempo conseguimos
afastá-la colocá-la em terreno alheio como se nunca teremos direito
a ela.
No poema Felicidade, Vicente de Carvalho, de maneira singela nos
passa uma profunda mensagem: que nós mesmos construímos a nossa
felicidade, mas que na maioria das vezes a fazemos longe do nosso
alcance.
Tem presente em seus poemas temas atemporal, são universais, como
felicidade, morte, amor, na sua grande maioria utilizam de símbolos
tais como: dourados pomos, árvore milagrosa. Segundo Candido,
desenvolveram-se em relação à sociedade brasileira pontos de vista
mais críticos e realistas, expressos por um ensaísmo pouco
conformista, que encontrava paralelo na visão desmistificadora e
contundente dos narradores mais avançados.p.56, Vicente de Carvalho
mostra em seu poema Felicidade muita delicadeza em mostrar como é
difícil em consquista coisas corriqueiras e “simples”.
Referências
http://www.academia.org.br/academicos/vicente-de-carvalho/biografia
acesso em: 20/10/2019
CARVALHO,
Vicente de, Disponível em:
https://educacao.uol.com.br/biografias/vicente-de-
carvalho.htm,
acesso em 20/10/2019.
http://poemasetsonetos.blogspot.com/2009/02/velho-tema-so-leve-esperanca-em-toda.html
06/02/2009 acesso em 20/10/2019.
%20-%20Literatura%20Brasileira%20-%20Antonio%20Candido.pdfn
acesso em 20/10/2019.
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