"Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto" - Nadia Cristina Weiss Pires

O autor de Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto, tem o nome de batismo de Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em Laranjeiras, Rio de Janeiro no dia 13 de maio de 1881. Filho do tipógrafo Joaquim Henriques de Lima Barreto e da professora primária Amália Augusta, ambos mestiços e pobres, sofreu preconceito a vida toda. Por ser afilhado do Visconde de Ouro Preto fez o curso secundário no Colégio Pedro II. Ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro onde iniciou o curso de Engenharia. Desistiu da faculdade por problemas familiares e mais tarde prestou concurso para escriturário do Ministério da Guerra, foi aprovado e permanece na função até se aposentar. Sua carreira como escritor teve inicio em 1905, no jornalismo escrevendo uma série de reportagens para o correio da manhã.

Em 1909, Lima Barreto estreou na literatura com a publicação do romance “ Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, em 1915 Lima Barreto publica o livro Triste Fim de Policarpo Quaresma, sua obra-prima e mais conhecida na literatura brasileira.
Estilo Literário e Características da Obra de Lima Barreto

Lima Barreto foi um dos principais escritores do pré-modernismo brasileiro, sua obra escrita no inicio do século XX, segundo a autora, mostra en representa a fase de transição da literatura, onde, as influências europeias estão sendo excluídas e começam a surgir uma renovação da linguagem e da ideologia baseadas na nacionalidade brasileira. Na obra de Lima Barreto nota-se uma busca por uma linguagem mais simples e coloquial, diferenciando-o dos demais colegas representantes do pré-modernismo. Escrever de maneira simples faz com que Lima ignore algumas normas gramaticais e estilo, tornando-o suscetível à ira dos meios acadêmicos e colegas escritores conservadores. Suas obras são abarrotadas de preocupações, indignações com fatos históricos e costumes sociais, pois seus contos contavam a vida cotidiana das classes populares, mostrando com isso as injustiças sociais e as dificuldades passadas por esta classe no período da primeira década da República.

Infelizmente, devido a muitos problemas pessoas e social Lima Barreto, torna-se alcóolatra, não conseguindo livrar-se do vício mesmo após duas internações, tendo até alucinações. Segundo a autora no momento de lucidez inicia a redação do livro "Cemitério dos Vivos", onde ele dizia: "O abismo abriu-se a meus pés e peço a Deus que jamais ele me trague, nem mesmo o veja diante dos meus olhos como vi por várias vezes. De mim para mim, tenho certeza que não sou louco ..." Lima Barreto viveu apenas 41 anos. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 01 de novembro de 1922.

Principais Obras

Lima Barreto é dono de uma vasta obra. Escreveu romances, contos, poesias e críticas. Entre suas obras podemos destacar:

Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909) 
Triste fim de Policarpo Quaresma (1911)
Numa e ninfa (1915)
Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919) Os bruzundangas (1923)
Clara dos Anjos (1948) Diário Íntimo (1953) Cemitério dos Vivos (1956)

Triste fim de Policarpo Quaresma


O título do conto de Lima Barreto parece mostrar um uma história ocorrida dentro de um contexto histórico e no desenrolar dos fatos acontecidos, através de circunstâncias os fatos podem não acontecer como exatamente como Policarpo planeja, tornando-o frustrado e inquieto com a situação, luta por um ideal e é tido como traidor e louco. 

Resumo do livro

O romance conta a história de Policarpo Quaresma, funcionário público, amante de uma boa leitura, tenta preservar e valorizar a cultura do país. Sua história se passa nos fins do século XIX, na cidade do Rio de Janeiro.

Policarpo tem como linha de pensamento que os índios são os verdadeiros brasileiros e propõem ao ministro da guerra o reconhecimento da língua tupi como língua nacional, pois Policarpo é subsecretário do ministro. A ideia de Quaresma não foi vista com bons olhos e a partir de então é tido como louco, e acabada sendo internado. Durante esse período, Olga, o compadre de Quaresma e o professor de violão, Ricardo Coração dos Outros, que acreditam em suas ideias, são os únicos a visitá-lo.

Ao receber alta do hospital, desiludido com os acontecimentos, Policarpo se afasta da cidade, e vai viver em um pequeno sitio, perto de uma cidadezinha do interior chamada de Curuzu. Passado algum tempo, já esquecido os fatos anteriores, começa a envolver-se com diversos políticos locais. Assim quando ocorre a Revolta Armada Policarpo abandona seu sitio e tenta apoiar o governo do Marechal Floriano, que estava sendo enfrentado pela marinha do país. Para sua infelicidade foi preso, acusado de traição e é condenado ao fuzilamento. A história acontece um total de três capítulos:

Primeira parte

Descreve Policarpo como um burocrata exemplar, patriota e nacionalista ao extremo, exageradamente interessado pelas coisas do Brasil: pela música, folclore e o tupi- guarani. O capítulo conta sobre a Cultura Brasileira, sobre o personagem e suas manias. Também relata sobre seu pedido ao ministro da guerra e ao seu internamento em hospício.

Segunda parte

No segundo capítulo Quaresma aí do hospital e passa a viver em um sitio, desiludido com as incompreensões, tenta provar que o solo brasileiro é o mais fértil do mundo, Dedicando-se a estudar tudo o que se refere a agricultura.

Terceira parte

No terceiro e último capitulo Policarpo envolve-se novamente na política, na Revolta da Armada, onde é acusado de traidor e infelizmente essa acusação acaba lhe custando a vida.

Na primeira Policarpo começa a apreender violão. Ele busca nas modinhas brasileiras o resgate da cultura. Segundo o texto “[...] um senhor baixo, magro, pálido, com um violão agasalhado numa bolsa de camurça. Logo pela primeira vez o caso intrigou a vizinhança. Um violão em casa tão respeitável! [...] (pag.2.)

Na segunda, ele se muda para o sítio, buscando assim retirar das terras brasileiras seu sustento e acreditando que com tanta terra fértil, o melhor a ser feito era ser aproveitado. “[...]O sítio empolgara-o, o calor ia passar, vinha a época das chuvas, das semeaduras, e não queria afastar-se de suas terras.[...]”(p. 48).

Já na terceira e última parte, o Major busca através de sua participação na revolta transformar o país. Acontece que desde o título do livro já está anunciado que o desfecho não será feliz. O brasileiro Policarpo, que tanto acreditava em mudanças e melhoras, que tanto valorizava o que de mais brasileiro havia, acaba sendo acusado de traidor, e morre na prisão. “[...] Com tal gente, era melhor tê-lo deixado morrer só e heroicamente num ilhéu qualquer, mas levando para o túmulo inteiramente intacto o seu orgulho, a sua doçura, a sua personalidade moral [...]”. (p. 104) Ele, antes de sua morte, chega a conclusão que toda a sua vida, sua luta e todos seus sonhos foram em vão. A pátria brasileira, pela qual ele tanto sonhou e lutou, não existia.

O brasileiro Policarpo, trabalhador, dedicado, e sonhador como muitos de seu povo, acreditava em mudanças e melhorias, que dava valor e defendia a tudo que tinha origem brasileira, tem como recompensa a prisão, sendo acusado do traidor por defender seu país e acaba por morrer em uma prisão.

Policarpo, antes de morrer, chega à conclusão que toda a sua vida, sua luta e todos seus sonhos foram em vão. A pátria brasileira, pela qual ele tanto sonhou e lutou, não existiu. Se pararmos para pensar quantos Policarpos Quarema morreram em toda história do Brasil, por defender piamente uma ideia, ou um país que nunca existiu?

Lima Barreto escreveu a história de Policarpo no início do século XX mas, parece tão atual que chega a nos assustar, porque não precisamos procurar ou pensar muito encontramos vários exemplos de Quaresmas, que defendem e morrem por seus ideais.

Referências

DIANA, Daniela, Professora licenciada em Letras, Biografia de Lima Barreto, disponível em: https://www.todamateria.com.br/lima-barreto/ aceso em 13/10/2019

https://www.passeiweb.com/estudos/livros/triste_fim_de_policarpo_quaresmaPrimeira parte - A lição de violão acesso em:13/10/2019.

https://moodle.unicentro.br/pluginfile.php/365037/mod_label/intro/TRISTE.pdf acesso em : 20/10/2019.

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