MARTHA,
Alice Áurea Penteado. Tópicos
de Literatura infantil e juvenil.
Maringa: Eduem, 2011. Disponível em:
https://moodle.unicentro.br/pluginfile.php/263605/mod_label/intro/Livro_16%20-%20T%C3%B3picos%20de%20literatura%20infantil%20e%20juvenil.pdf,
acesso em 10/09/2018.
Resenha Crítica
Alice
A. P. Martha é organizadora do livro intitulado: Tópicos
de literatura infantil juvenil,
organizado como subsídio de estudos para a formação de professores
do curso de Letras – EAD, aqui versaremos os dois primeiros
capítulos. No primeiro com o título “Literatura
infantil e juvenil: concepções introdutórias”,
é escrito por Martha. Ela divide o capítulo em três partes para
falar sobre as “origens: contexto histórico-social”, literatura
infantil e juvenil: arte e mercado e funções da literatura infantil
e juvenil.
A
autora afirma que não
existia literatura infantil, ou juvenil, antes do século XVIII, foi
apenas com a ascensão da burguesia, com a valorização da família,
com a reorganização da instituição escolar, e com reconhecimento
da infância a partir do século XVII, que “surge a literatura
infantil”.
Conforme
a autora, esse processo foi longo e não acontece de igual modo nas
diferentes classes sociais. Começando com maior força na burguesia,
juntamente com a valorização da figura materna, estimulando a
privacidade entre adultos e diferenciando a infância da fase adulta.
Para as pessoas da classe menos favorecida esse processo foi mais
longo, iniciando com incentivo ao casamento, convívio familiar e
cuidados com a criança. Dessa forma veio junto a reorganização da
instituição escolar, a escola exerceu funções
diferenciadas nas camadas sociais citadas e o estudo passa a ser
obrigatório.
A
escola funcionou como ligação entre a criança e o mundo, as
literaturas, que antes eram apenas para adultos, foram revisadas e
refeitas pensando em outro público alvo, as crianças, e com um
enfoque mais inocente. A criança agora é mais valorizada no
contexto familiar.
Conforme
a autora, a literatura também pode ser responsável pela
transformação comportamental do indivíduo na sociedade, e deve ser
entendida como cultura e expressão. E falando em literatura infantil
e juvenil é possível perceber que a literatura juvenil começa a
marcar espaço no campo literário recentemente, e ao tratar da
literatura
infantil e juvenil: arte e mercado, a autora afirma que a
literatura é uma das manifestações culturais capazes de oferecer
padrões de interpretação do mundo ao homem, podendo transformar o
comportamento do indivíduo na sociedade e conhecendo o mundo pelas
palavras do escritor.
Ela
afirma também que para que a literatura faça parte do mercado de
consumo precisa ter riqueza nos recursos básicos como:
qualidade
do papel, capa, tamanho e formato das letras, os textos e as
ilustrações. Diferenciando um pouco a literatura infantil que
necessita mais de ilustrações se comparada a literatura juvenil,
que necessita mais de texto.
Por
fim, ainda nesse capítulo a autora explana funções da literatura
infantil e juvenil, citando Antonio Candido que afirma que a
literatura atua na expressão e na formação do homem e a literatura
para este não é inofensiva, porque carrega, tanto o bem como o mal,
sendo assim o texto literário oferece uma visão do mundo em que
vivem de modo que possam compreender os papéis que nele desempenham.
Tendo a literatura papel de formador de personalidades.
Já
no capítulo dois do livro em questão, por João Luís Ceccantini
intitulado: “Outra vez era uma vez: contos de fadas e literatura
infantil brasileira”, o autor separa o capítulo em cinco partes:
Contos de fadas e literatura infantil, Charles Perraut e Irmãos
Grimm, em defesa dos contos de fadas e separando o joio do trigo,
contos de fadas à brasileira e conclusão.
Nesse
capítulo Ceccantini afirma que literatura infantil é mais que
“contos de fadas”. Fala também que bem antes desses serem
considerados literatura infantil eles passaram por muitas reformas e
ajustes até poderem ser lidos por crianças. Os contos de fadas
foram criados como contos folclóricos de tradição oral, e tinham
um vocabulário não apropriado as crianças, tratava de erotismo,
canibalismo, mortes hediondas, violência entre outros assuntos. No
capítulo podemos ler e conhecer algumas versões do clássico
chapeuzinho vermelho por Robert Darnton, Charles Perrault e dos
irmãos Grimm, que é a versão mais infantil das três, isso é, com
linguagem mais adequada para essa faixa etária.
Na
década de 70 aproximadamente houve muita crítica negativa aos
contos de fadas, por serem retrógrados, agressivos, alienantes, com
visão da mulher submissa, entre outros fatores negativos, mas de
acordo com o autor muitos pesquisadores defenderam os contos de fadas
e colocando-os como fonte admirável de patrimônio cultural da
humanidade que vem se adaptando e resistindo as grandes mudanças que
acontecem no mundo.
De
acordo com Ceccantini alguns pesquisadores como Jacqueline Held,
Bettelheim, Corso entre outros afirmam que esses gêneros textuais,
divertem, lidam com valores e significados universais, nos conduz à
vida, aos grandes problemas do homem, a enfrentar as condições que
lhe são impostas, claro para isso é necessário o “separar o joio
do trigo”, que é um subtítulo aqui desde capítulo. Nelo o autor
comenta que existem muitas edições de má qualidade de literatura
infanto-juvenil, de contos de Perralt e de Grimm, esse com contos
mais traduzidos e vendidos que a bíblia. Porém também se encontra
no mercado umas versões que mudam um pouco o fim da história, mas
com “boas intenções moralistas e politicamente corretas”.
Em
“Contos de fadas à brasileira” temos citados alguns grandes
escritores brasileiros como Monteriro Lobato, com as principais
obras: Reinações de narizinho e Sitio do pica-pau amarelo, Ana
Maria Machado, Ruth Rocha e Glaucia Lewicki. Dessa maneira e possível
perceber que temos uma rica literatura infantojuvenil, com largas
raízes, é possível inseri-las nas aulas de português na escola de
maneira significativa ao aluno, com animação de leitura com valor
simbólico, como antigamente era feito como “ritual”, homens
sentados à beira da fogueira compartilhando historias, vivências e
experiências.
Por
fim, percebemos que a literatura nem sempre foi direcionada ao
público infanto-juvenil da mesma forma como vemos hoje, nem os
famosos “clássicos” contos de fadas foram criados com intuído
de divertir e orientar esse público, pelo contrário era difundido
principalmente oralmente em meio aos adultos. A literatura existe
para que possamos dela tirar proveitos, entrando no mundo do escritor
e construindo novos conhecimentos na cabeça do leitor, seja ele
criança ou não. A escola deve ser um incentivador da leitura, e o
professor deve encontrar caminhos para facilitar essa prática no
cotidiano escolar, ampliando o número de alunos leitores e
apreciadores dessa prática.
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