A questão do sentido na linguagem constitui o ponto principal nas
teorias linguísticas, quando elas definem seu objeto de estudo. O
curso de Linguística Geral de Saussure, como se sabe, é considerado
o marco inicial da linguística científica. No entanto, ao dividir a
linguagem em língua e fala, tomando a língua como objeto de estudo,
Saussure exclui dos seus estudos categorias de análise importantes
como o sujeito e o mundo....
Para Ana Z, o presente estudo consiste em reflexão entre objetos
linguístico e discursivo, a partir de investigações feitas na obra
Marxismo e filosofia da linguagem, buscamos o fato de que o
componente sintático da língua torna-se insuficiente para demarcar
as fronteiras entre discursos direto e indireto, sendo necessário
repensar as relações entre língua e discurso.
Sobre Saussure, a língua é um sistema de signos formados pela
junção do significante e do significado,
ou seja,
da imagem
acústica e
do sentido,
para ele
a imagem
é a
união do
significado com o significante. A vontade individual ou
social, estando nisso o seu caráter essencial(Sassure,2003p.25). Ou
seja, o significado e o significante formam o signo, a combinação
de conceito, e essa relação ele deu o nome de significação. Outra
contribuição de Saussure foi com o signo linguístico, mas deixou o
mundo fora de sua análise.
Saussure, o
signo, a
língua, língua
e linguagem,
paradigmas linguísticos,
para ele
existem quatro
dicotomias Saussureanas, língua e fala, na linguística temos os
paradigmas, pesquisas empíricas- a língua externalizada, análise
de corpus- da linguística escrita e falada, sociologia, pragmática
e linguística aplicada. Dois grandes paradigmas da linguística, a
língua internalizada, estruturalismo, gerativismo, funcionalismo.
Com Saussure, os estudos linguísticos passam a se interessar pela
língua, como um sistema de valores, para toda a produção
linguística em qualquer idioma, a linguística é concebida como uma
ciência, ela não só descreve fatos linguísticos, mas busca
explicações coerente para a sua
ocorrência.
As Leis Intelectuais da Linguagem, Fragmentos de Semântica (18830,
do Francês MICHEL BRÉAL, Semântica Formal se dedica ao estudo da
relação entre as expressões linguísticas e o mundo o
sentido/significado/significação é entendido como relação entre
a linguagem(Fernandes,2019p.12) Bréal, considera a língua como
fenômeno humano e, portanto
histórico, conforme
ele, na
linguagem, a
transformação ocorre
pela intervenção,
inteligência do
homem. A semântica (MICHEL BRÉAL,1833) é denominada como ciência
linguística que
estuda o significado das palavras e expressões, ou seja, que as
palavras significam quando se fala ou se escreve. O objetivo da
semântica é o significado decomposto em unidades menores chamadas
traços semânticos, estes permitem o significado das palavras,
quando a mensagem é expressa, diz que seus meios é denotativo e
quando a comunicação é objetiva. A semântica começa a dar seus
primeiros passos.
Frege, foi um matemático, filósofo alemão, trabalhando na
fronteira entre a filosofia e Frege foi
um dos
principais criadores
da lógica
matemática moderna
e aos
estudos da
linguagem. Para
Frege, mesmo nesta fase inicial, já se vai delineando como algo
fundamental, para aquele que faz
matemática, que
os tópicos
básicos-conceitos e
pressupostos
iniciais...Para o
alemão Frege, a
semântica formal
descreve o
problema do
significado a
partir do
postulado de
que as
sentenças se estruturam logicamente. Frege excluiu da
semântica os estudos das representações individuais que uma
palavra pode provocar, pois para ele, o estudo científico do
significado só é
possível se
diferenciarmos seus
aspectos para
termos apenas
os objetivos.
Para Frege
o sentido é
o que
nos permite
chegar a
uma referência
no mundo.
Assim a
semântica caberia
nos estudos
objetivos do significado.
Paul Grice, e seu princípio de cooperativo, pragmática é o estudo
das relações entre língua e contexto de uso dessa mesma língua.
Essas relações são codificadas em sentenças, parágrafos e
textos, e podem ser analisados cientificamente. Essas regras são
naturais nas interações síncronas e orais, porque as pessoas
procuram ser cooperativas umas com as outras, isso pragmática
conversacional.
PAUL GRICE,
compreende a
linguagem como
instrumento que
serve para
o locutor
comunicar ao seu destinatário suas intenções, pois quando
falamos nos comunicamos. E graças a essa linguagem,
prevista pela
pragmática, que
o sujeito
é visto
como individual,
assim Grice
retoma a proposta psicológica abandonada por Sassure. Paul
Grice fundou as bases de uma teoria semântica e de uma teoria
pragmática, fundamentada no caráter intencional da comunicação, e
concebe a linguagem como instrumento para expressar intenções. Para
Grice, o princípio da cooperação é o principal das máximas
conversacionais ou leis do discurso, pois ditam regras/normas a serem
respeitadas na comunicação
verbal. Para Grice existem dois tipos de implicaturas, a convencional
e a conversacional que não dependem da significação
usual.
JOHN AUSTIN, Filosofia da linguagem- Austin e os atos de fala, que
foi elaborada inicialmente por JOHN (1911-1960), Austin descobre que
determinadas sentenças são na verdade ações. Por exemplo, na
frase “O senhor está pisando no meu pé, realizo ao mesmo tempo
três atos
de fala.
O primeiro
é o
ato locucionário,
ou seja,
o ato
de dizer
a frase.
O segundo ato é o
que Austin chama de ilocucionário, o ato executado na fala, ou seja,
ao proferir um ato locucionário. Nesse caso, ao dizer “ O senhor
está pisando no meu pé,” não tive a intenção de contestar uma
situação, mas de protestar ou advertir para que a pessoa parasse de
pisar no meu pé. Por
fim, há ainda um terceiro ato, chamado de perlecucionário, que é o
de provocar um
efeito em
outra pessoa,
a locução
influenciando seus
sentimentos ou
pensamentos. John,
afirma que a linguagem não tem apenas uma função
descritiva, mas serve para agir já que por meio dela, o homem
realiza atos, ele começa a desenvolver a teoria dos atos da fala,
divide os enunciados em tipos; Os constativos, que descrevem um
estado de coisas que correspondem à execução de uma ação. Para
Austin, certos atos de fala, aos serem proferidos (ato locucional),
que implicam a produção de algum efeito.(ato perlocucional), que é
a consequência da significação do enunciado. Já o ato ilocucional
consiste em fazer alguma coisa quando se diz alguma coisa. Consiste
no ato que se realiza quando se diz algo. Esse ato é convencional,
pois sempre que se diz algo em determinadas condições, realiza-se
certa ação ligada ao que se diz. (FERNANDES,2019 P
26-29).
JOHN AUSTIN, Classificou em cinco grupos os tipos de expressões de
acordo com a força ilocucionária de cada uma delas. São elas:
- Expressões Veridictivas, que são um veredito sobre uma doença, ou seja mesmo em situações cotidianas em que sustentamos algo com base em valores ou provas.
- Expressões exercitivas, consistem em tomar uma decisão a favor ou contra determinado comportamento. Diferenciam-se da situação anterior por não serem apenas juízo, mas decisão. Exemplos, proibir, estimular, confiar, prescrever, conceder, exigir, propor etc.
- Expressões comissivas, trata-se das que se comprometem com o falante e com o cumprimento de algo. Exemplos, jurar, garantir, provar, combinar etc.
- Expressões condutivas, trata-se de uma reação em relação ao destino ou conduta de outros. Exemplos, felicitar, criticar, saudar, desejar, lamentar, queixar-se etc.
- Expressões expositivas, na sua intenção é tornar claro como a expressão do falante deve ser considerada para permanecer fiel ao seu pensamento. Exemplos, comunicar, relatar, testemunhar, reconhecer, corrigir etc.
Benveniste é considerado o fundador da Teoria da Enunciação. Que
entende a enunciação como
processo de
colocar a
língua em
funcionamento, por
ato individual
de fala. Propondo-se a estudar a presença do sujeito na
língua, retoma a questão do elemento subjetivo discutida por Bréal.
Para Benveniste a significação faz parte da natureza da linguagem,
é uma propriedade. De acordo com Benveniste (1989) antes de qualquer
coisa a linguagem significado o seu caráter primordial, sua locação
original que explica todas as funções no meio humano, Benveniste vê
a língua no seio da sociedade e da cultura, para ele, o social é da
natureza do homem e da língua. Para ele a natureza da língua é
significante, a língua é dotada de significação, essa condição
é essencial ao funcionamento da língua entre outros sistemas de
signos, para ele a língua é uma estrutura de significação, citado
por(AGOSTINI e RODRIGUES). A noção de língua/linguagem, para
Benveniste o entendimento de língua se diferencia da de Saussure,
uma vez que a vê como essencialmente social, para o teórico da
enunciação (1989p 63)
somente a
língua torna
possível a
sociedade. A
língua constitui
o que
mantém juntos os homens, o fundamento de todas as relações que por
seu turno fundamentam a sociedade. O fundador da linguística moderna
pensava na língua como código fechado em si mesmo, estruturado por
signos...
Pêcheux, nos
traz a
análise do
discurso(AD), Afirma
que a
ideologia não
é algo
exterior ao discurso, mas da prática discursiva e, ao
portanto, é um elemento determinante do sentido. A AD não trabalha
com o que o texto quer dizer, mas como o texto funciona. Teorizar a
interpretação, por meio de leituras e críticas e reflexivas que
não reduzam o discurso puramente linguísticos, uma vez que não
trabalha com a língua como um sistema fechado de signos, mas com a
língua no mundo, com maneiras de significar, com homens falando. De
acordo com AD, os sentidos não são predeterminados, mas dependem do
modo como o sujeito se inscreve na língua e na história. Essa
teoria da interpretação trabalha com a relação que se estabelece
entre língua-discurso-ideologia, Não há discurso sem sujeito e nem
sujeito sem ideologia
(FERNANDES).
Nesse trabalho
são expostos
os princípios,
algumas noções
e o
surgimento desse
campo de estudo. A análise de discurso se configura como um
campo de confluência entre a linguística e as Ciências Sociais.
(ORLANDI,2007,16). Onde em uma há a afirmação da imanência da
linguagem e, em outra, a transparência da
história.
Ana Muller e Evani Viotti, semântica formal que estuda todo tipo de
semântica- tem semântica textual, cognitiva, lexical,
argumentativa, discursiva, Todas elas estudam o significado, cada uma
do seu jeito. Tamanha variedade já nos mostra que o estudo do
significado, pode ser feito de vários ângulos. Podemos investigar a
relação entre as expressões linguísticas e representações
mentais, entre expressões linguísticas, ideologia e cultura e entre
as expressões linguísticas e mundo.
Podemos também investigar a rede de relações que uma expressão
estabelece com as outras expressões da língua e assim por diante.
Provavelmente estas perspectivas não são totalmente incompatíveis,
pois o significado possui realmente vários ângulos. Qualquer teoria
que ignore os diferentes aspectos envolvidos no estudo do significado
encontrará limites em seu alcance. Esta limitação é inescapável
quando recortamos nosso objeto de estudo.
Não se pode negar, entretanto, que uma das características
importantes das expressões linguísticas é que elas são sobre
alguma coisa. Explico; Se alguém enuncia a sentença, em que uma
situação em que realmente há um rato na cozinha relevante no
contexto, nós diríamos
que esse
falante disse
a verdade
porque a
sentença descreve
com fidelidade a
situação.
É esta referência a situações externas à língua que sugere que
os significados estão de alguma forma ligados ao mundo, a algo que
tomamos (ou construímos) como independente da língua. Sugere, pelo
menos, que é assim que nós interpretamos
grande
parte de
nossos enunciados
a semântica
formal considera
como uma
propriedade central
das línguas
humanas o
ser sobre
algo, i.e.
O fato
de que
as línguas
naturais são
utilizadas para falar sobre objetos, indivíduos, fatos,
eventos, propriedades. A Semântica Formal afirma que o significado
de uma sentença é o tipo de situação que ela descreve e que a
descrição destas
situações possíveis
é equivalente
às condições
de verdade
da sentença. A
Semântica Formal pode ser descrita como um projeto que procura
responder às seguintes perguntas: O que “representam” ou
“denotam” as expressões linguísticas, Denotações, algumas
expressões nominais são usadas para representar diretamente um
indivíduo do mundo, isto é são usadas para refletir. Este é o
caso de nomes próprios, descrições definidas e
pronomes.
Vemos que
a noção
de referência/denotação
deve ser
entendida, pois
as palavras
podem representar não só indivíduos do mundo, mas elas
também podem representar objetos mais complexos como propriedades e
relações entre propriedades. A Sinonímia e paráfrase é uma
relação entre duas expressões linguísticas que tem o mesmo
sentido. Chamamos de paráfrase à relação de sinonímia entre
sentenças, a noção de acarretamento
nos dá
uma maneira
de definir
formalmente o
conceito de
paráfrase, pois
quando duas sentenças são sinônimas, uma acarreta a outra e
vice-versa.
REFERÊNCIAS
MULLER e
VIOTTI =Semântica Formal.
AGUSTINI, CÁRMEM. RODRIGUES, EDUARDO ALVES. O Conceito de Língua/
de BENVENISTE.
RODRIGUES, FÁBIO DELLA PASCHOA, O arbitrário do signo.
WITZEL, DENISE GABRIEL, INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS.
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